Entidades da indústria pedem sete vetos na MP 1304, da reforma do setor elétrico

Pedidos de veto incidem sobre regras do curtailment, uso de recursos da CDE, autoprodução, contratação de usinas dentre outros

Agência Eixos – 11.11.2025 | O Movimento União pela Energia, que reúne mais de 70 associações e federações industriais, encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma carta solicitando o veto a sete dispositivos incluídos pelo Congresso Nacional durante a conversão em lei da MP 1304. Segundo o grupo, os trechos aprovados aumentam o risco de elevação nos custos e nas emissões da energia elétrica, além de comprometer a lógica de planejamento e operação do setor elétrico.

O principal foco de crítica está na inclusão de regras sobre cortes de geração (curtailment) de fontes eólicas e solares. O fórum de entidades pede o veto ao Art. 1º-A, argumentando que a proposta transfere integralmente aos consumidores o custo da compensação aos geradores, o que pode elevar as tarifas e gerar impacto estimado de até R$ 7 bilhões até o fim de 2025. Esse ressarcimento seria feito via encargos de serviço do sistema (ESS), pagos por todos os consumidores — livres e regulados — proporcionalmente ao consumo. O movimento, porém, não se opõe ao outro artigo referente ao curtailment, que trata da compensação de custos relacionados à indisponibilidade externa e requisitos de confiabilidade no SIN.

As associações também solicitam veto ao trecho que limita novos arranjos de autoprodução a usinas que entrem em operação comercial apenas após a publicação da lei. Para o grupo, a regra cria barreiras injustificadas à autoprodução e uma reserva de mercado que incentiva a expansão da geração mesmo em um contexto de sobreoferta. Outro ponto criticado é a autorização para uso de recursos do programa Luz para Todos na aquisição de equipamentos para sinal de televisão aberta, medida considerada alheia ao setor elétrico e que elevaria um encargo já superior a R$ 50 bilhões anuais.

O movimento aponta ainda preocupação com a inclusão, na lei de improbidade administrativa, de dispositivo que prevê punição para gestores públicos que deixarem de apurar ou realizar contratações exigidas por lei para garantir segurança energética. Para as entidades, a redação amplia insegurança jurídica no setor e pode trazer riscos à tomada de decisão técnica.

Por fim, a carta pede o veto à contratação compulsória de térmicas a carvão até 2040, com custo estimado em R$ 1 bilhão anual, e à contratação de usinas de biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que segundo o grupo somariam R$ 7,9 bilhões por ano independentemente da necessidade do sistema. O movimento também solicita a retirada do artigo que estabelece prioridade de interligação entre Porto Velho (RO) e Manaus (AM), por entender que a medida interfere no planejamento técnico da expansão da transmissão.

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