No total, volume financeiro transacionado aumentou 18% em comparação com 2024, mas número de negócios caiu 25
Infomoney – 17.12.2025 | O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&As) registrou, entre janeiro e novembro de 2025, um aumento de 18% no volume financeiro transacionado em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, o número de operações caiu 25%, indicando um cenário marcado por menos negócios, porém de maior valor. Os dados são da boutique Seneca Evercore, em levantamento realizado a pedido do InfoMoney.
Segundo a consultoria, o crescimento do volume financeiro foi impulsionado por poucas operações de grande porte, concentradas principalmente nos setores de energia e recursos naturais. Esse grupo engloba empresas de geração e distribuição de energia, petróleo e gás, papel e celulose e mineração. A maior transação do ano foi a compra de participação no campo offshore Peregrino, pela PRIO, por US$ 3,35 bilhões, seguida pela aquisição da Serena Energia pela Actis, por US$ 2,82 bilhões.
A relevância do setor de energia nas operações de M&A vem crescendo desde 2021. Em 2020, ele respondia por 10% do volume financeiro das transações; em 2025, essa fatia chegou a 54%. De janeiro a novembro deste ano, o volume transacionado em energia e recursos naturais somou US$ 28,2 bilhões, alta de 47% na comparação anual. Para especialistas, essa expansão reflete a maior resiliência desses setores diante das incertezas políticas e econômicas do país.
Para 2026, a expectativa é de continuidade do movimento de consolidação, especialmente em setores ainda bastante regionalizados, como alguns segmentos da geração de energia solar. Analistas também apontam potencial para aumento de negócios em áreas como logística, tecnologia, educação e infraestrutura. Depois de energia e recursos naturais, consumo e varejo, indústrias, transporte e logística e tecnologia aparecem como os setores mais relevantes em volume financeiro.
O comportamento da taxa de juros será decisivo para o próximo ciclo de M&As. A expectativa de cortes na Selic, hoje em 15% ao ano, pode impulsionar o preço dos ativos e estimular vendas de participação, além de facilitar o financiamento das aquisições. Ainda assim, mesmo com juros elevados, especialistas avaliam que fusões e aquisições continuarão sendo uma alternativa estratégica, sobretudo para empresas médias, com operações de menor valor, mas focadas em ganhos de eficiência e escala.