Problema se intensificou nos últimos anos, afetando diferentes empresas de energia renováveis; linha poderia ser viabilizada via BNDES, mas tema ainda está indefinido
Estado de SP – 28.11.2025 | O governo acompanha a possibilidade de criar uma linha de crédito específica para empresas de energia que vêm sofrendo financeiramente com cortes de geração determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, as conversas ainda são preliminares e tratadas como “superficiais”, sem qualquer definição. Caso avance, o financiamento poderia ser estruturado pelo BNDES e funcionaria como um alívio temporário para os geradores enquanto soluções estruturais não são adotadas.
O tema ganhou força porque os cortes de geração se intensificaram nos últimos anos, afetando especialmente usinas renováveis. Quando há excesso de energia no sistema ou necessidade técnica de controle, o ONS determina que parte das usinas desligue temporariamente, interrompendo sua produção. Nessas ocasiões, os geradores — que investiram para produzir — deixam de faturar e passam a cobrar ressarcimento pelo impacto econômico, o que gerou forte pressão do setor sobre o governo durante a tramitação da chamada “reforma do setor elétrico”.
Ao sancionar a lei decorrente da MP 1.304/2025, o governo vetou o trecho que previa ressarcimento amplo para todos os casos de corte de geração, exceto quando provocado exclusivamente por sobreoferta de energia renovável. O Executivo adotou uma solução intermediária: garantiu compensação apenas para usinas eólicas e solares pelos custos relacionados à indisponibilidade externa e à confiabilidade elétrica no período entre 1º de setembro de 2023 e a entrada em vigor da lei. Agora, o mercado avalia se essa medida será suficiente para estabilizar o caixa das empresas. Caso não seja, a linha de crédito em análise pode surgir como alternativa de curto prazo para reduzir o estresse financeiro dos geradores.