Preço frustra investidores e ameaça maior leilão de geração de energia de 2026

Valores anunciados pelo governo ficaram de 20% a quase 50% abaixo do previsto por empresas e analistas
Entidades de consumidores de energia defendem valores; certame tem objetivo de melhorar estabilidade do sistema

Folha de SP – 10.02.2026 | A divulgação dos preços-teto para o principal leilão de geração de energia elétrica de 2026 gerou reação negativa entre investidores e agentes ligados à expansão da oferta, especialmente entre empresas geradoras. Os valores foram encaminhados pelo Ministério de Minas e Energia Aneel e, após tornados públicos, passaram a ser avaliados pelo mercado como insuficientes para garantir a viabilidade econômica de novos empreendimentos de geração despachável, particularmente termelétricas e hidrelétricas destinadas à reserva de capacidade do sistema.

Sob a ótica dos geradores, o leilão possui papel estratégico ao viabilizar a contratação de usinas capazes de fornecer potência firme e flexibilidade operativa, atributos fundamentais para compensar a variabilidade das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. A contratação dessa reserva tem como objetivo assegurar disponibilidade energética nos momentos de maior demanda, sobretudo no período noturno, quando a geração solar se reduz abruptamente. Nesse contexto, as usinas térmicas e hidrelétricas com capacidade de regularização passam a desempenhar função essencial para a confiabilidade e estabilidade do SIN.

Analistas de mercado apontam que os preços estabelecidos ficaram entre 20% e 47% abaixo das estimativas consideradas necessárias para cobrir custos de investimento, operação e manutenção das usinas. Essa defasagem comprometeria a taxa interna de retorno dos projetos, além de elevar riscos financeiros associados à implantação de novas plantas. A preocupação é ainda maior para empreendimentos greenfield, que enfrentam aumento expressivo no custo de capital e na cadeia de suprimentos, incluindo elevação recente entre 40% e 50% nos custos de equipamentos críticos, como turbinas a gás, cuja entrega pode levar vários anos.

Os valores definidos pelo governo variam conforme a tecnologia e o estágio do empreendimento. Para termelétricas a gás natural e carvão mineral, o preço-teto foi fixado em R$ 1,12 milhão por MW.ano para disponibilidade entre 2026 e 2027 e para usinas existentes que operem entre 2028 e 2031, enquanto novos projetos destinados ao período de 2028 a 2031 poderão receber até R$ 1,6 milhão por MW.ano. Para hidrelétricas, o teto foi estabelecido em R$ 1,4 milhão por MW.ano para entrada em operação entre 2030 e 2031. Já para térmicas a óleo e biodiesel, os valores foram definidos em R$ 920 mil por MW.ano para 2026 e 2027 e R$ 990 mil por MW.ano para 2030.

Na avaliação de agentes de geração, os preços divulgados tendem a limitar a atratividade do certame, elevando o risco de baixa adesão ou mesmo fracasso do leilão. Caso isso ocorra, especialistas alertam para a possibilidade de o sistema elétrico depender de soluções emergenciais de maior custo, como despacho fora da ordem de mérito ou contratação extraordinária de capacidade, o que poderia gerar impactos tarifários futuros e ampliar a exposição do sistema a riscos operacionais, especialmente diante do crescimento acelerado da geração distribuída solar, cuja produção não é plenamente controlável pelo ONS.

Embora entidades representativas dos consumidores defendam que os valores estão alinhados ao histórico do setor e à evolução recente do mercado, agentes geradores avaliam que o desenho econômico do leilão precisará ser reavaliado para assegurar a expansão sustentável da oferta de potência firme no país. O certame é considerado relevante para viabilizar investimentos bilionários ao longo dos próximos anos e para garantir condições operativas adequadas ao SIN, especialmente em um cenário de rápida transformação da matriz elétrica brasileira e aumento da complexidade no despacho e no planejamento energético.

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