Comercializadoras, geradoras de fontes renováveis e consumidores entendem que há oportunidade de baixar custos sem comprometer a segurança; donos de hidrelétricas alertam para riscos
CNN Brasil – 20.abr.2026 | A Consulta Externa 001/2026 do ONS abriu uma disputa estratégica no setor elétrico brasileiro ao colocar em debate a revisão dos parâmetros de aversão ao risco que orientam a operação do sistema. A decisão, que deverá ser tomada pelo CMSE nos próximos 30 dias, pode alterar o nível de armazenamento dos reservatórios hidrelétricos e o acionamento das usinas térmicas, com impacto bilionário nas tarifas de energia.
De um lado, comercializadoras, geradores renováveis e entidades de consumidores defendem a flexibilização do parâmetro CVaR, argumentando que o modelo atual é excessivamente conservador. Segundo esses agentes, reduzir a aversão ao risco permitiria usar mais água dos reservatórios, diminuindo o despacho térmico e gerando uma economia anual de até R$ 6,6 bilhões, além de uma redução estimada de 1,12% na conta de luz, sem comprometer a segurança energética.
As geradoras hidrelétricas, representadas principalmente pela Abrage, sustentam posição contrária e pedem a manutenção das regras atuais. Para elas, reduzir o conservadorismo da operação enfraquece a proteção do sistema diante de cenários hidrológicos críticos, aumentando o risco de déficits de energia e de custos ainda maiores no futuro. As empresas lembram que uma flexibilização semelhante em 2020 antecedeu a crise hídrica de 2021, que gerou cerca de R$ 28 bilhões em encargos pagos pelos consumidores.
Na avaliação dos geradores, o momento exige cautela adicional porque o sistema passa por mudanças estruturais relevantes, com a rápida expansão das fontes renováveis intermitentes. Embora positivas do ponto de vista ambiental, essas fontes não oferecem potência firme nem flexibilidade para atender os picos de demanda, o que torna a segurança operativa mais sensível. Por isso, defendem que a preservação dos reservatórios continue sendo prioridade para garantir confiabilidade e estabilidade ao sistema elétrico.
Com isso, o debate opõe redução de custos no curto prazo e segurança de suprimento no longo prazo. Enquanto consumidores e renováveis pressionam por uma operação mais econômica, as geradoras alertam que qualquer afrouxamento pode comprometer a robustez do sistema e gerar custos ainda maiores adiante. A decisão do CMSE, prevista para maio, será decisiva para definir o equilíbrio entre modicidade tarifária e segurança energética a partir de 2027.