A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a consultoria PSR apresentaram nesta quarta-feira (12), em São Paulo, os resultados finais do Projeto Meta II – Formação de Preço. Depois de 30 meses de estudos, a iniciativa propõe uma modernização profunda na metodologia do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) no Mercado de Curto Prazo, com o objetivo de oferecer bases técnicas para políticas públicas e acompanhar a transformação estrutural do setor elétrico brasileiro.
O encerramento do projeto ocorreu durante o 5º Workshop Meta II, que reuniu representantes das principais associações da cadeia elétrica e de órgãos públicos. Entidades como ABRACEEL, ABEEólica, ABRAGET, ABRAPCH, COGEN, ABRAGEL, ABIAPE, APINE, ABRAGE, ABRACE, ANACE e UNICA participaram do encontro, contribuindo para um debate plural sobre o futuro da formação de preços no país. A proposta central apresentada prevê um novo modelo de precificação capaz de equilibrar eficiência de mercado, previsibilidade e transparência.
O projeto aponta para uma transição do atual modelo baseado exclusivamente no custo marginal — construído a partir de simulações centralizadas com ferramentas como NEWAVE, DECOMP e DESSEM — para um formato híbrido que incorpora gradualmente a lógica de formação de preço por oferta. Nesse desenho, as estratégias e percepções de geradores, comercializadores e consumidores passam a integrar o processo de precificação, tornando o sinal econômico mais preciso e aderente às condições reais do mercado.
As recomendações do Meta II incluem um roadmap de implementação com fases graduais, consultas públicas e períodos sombra antes da adoção definitiva do novo modelo. O estudo também sugere aprimoramentos institucionais, como a evolução do Mecanismo de Realocação de Energia (MRE) com reservatórios virtuais e o fortalecimento de mecanismos de dupla contabilização e PLD ex-post, com foco na redução de riscos em um sistema cada vez mais descentralizado e marcado pela expansão da geração renovável. A ferramenta de simulação IARA — de código aberto e desenvolvida no âmbito do projeto — permanecerá disponível aos agentes para estudos e análise de cenários.
Segundo as conclusões apresentadas, o modelo híbrido poderá trazer maior previsibilidade, estímulo à competitividade, atração de investimentos e sinais econômicos mais alinhados ao valor real da energia, reforçando a confiança e a estabilidade institucional do setor. Com o término do ciclo de estudos, CCEE e PSR finalizam os relatórios técnicos e o cronograma de implementação, que serão encaminhados ao Ministério de Minas e Energia. A expectativa é que a transição ocorra de forma gradual e participativa, pavimentando um mercado de curto prazo mais dinâmico e aderente à nova realidade da matriz elétrica brasileira.
Replicado em O Setor Elétrico e TN Petróleo (RJ)