Mercado aposta em decisão iminente sobre compensação das renováveis

O mercado avalia que o MME (Ministério de Minas e Energia) deve sair com uma medida em breve

Canal Solar – 28.08.2025 | Mesmo em meio ao início dos debates em torno da MP 1300 no Congresso Nacional, a expectativa em torno de uma solução para compensar financeiramente os geradores de energia renovável afetados pelos cortes de produção — conhecidos como curtailments — segue latente entre os agentes do setor.

O mercado avalia que o MME (Ministério de Minas e Energia) deve sair com uma medida em breve. A decisão é considerada urgente diante dos prejuízos acumulados, que já ultrapassam R$5 bilhões, e ameaçam a sustentabilidade financeira de parques eólicos e solares em todo o país.

A maioria dos interessados, no entanto, prefere aguardar a divulgação das decisões do MME para se manifestar.

DIREITO – Na visão da presidente da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias), Elbia Gannoum, que participou diretamente de entendimentos junto ao MME, a reparação é imprescindível para garantir segurança jurídica e preservar a confiança dos investidores.

“Esses cortes não acontecem por falhas das usinas, mas por limitações da rede de transmissão e pela nova dinâmica do sistema elétrico. É um direito dos geradores serem compensados”, defende.

Segundo a executiva, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, já sinalizou que serão indicadas diretrizes para que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ajuste os mecanismos de ressarcimento, o que poderá levar até à retirada de ações judiciais.

RISCO ÀS TARIFAS – O presidente da Apine (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica), Rui Altieri, entende que o ressarcimento deve contemplar todas as fontes impactadas, incluindo hidrelétricas e biomassa.

Ele alerta, no entanto, para os riscos de repassar os custos da reparação financeira diretamente às tarifas. “Qualquer forma de compensação, se feita hoje da maneira tradicional, irá impactar o bolso do consumidor. É isso que queremos evitar”, afirmou.

Como alternativa, o dirigente da Apine defende mecanismo semelhante ao aplicado recentemente no leilão de GSF, envolvendo o uso da prorrogação de concessões, cujos pagamentos por parte das empresas interessadas seria destinado a cobrir as indenizações, evitando aumento das contas de luz.

MUDANÇA ESTRUTURAL – Elbia reforçou que a responsabilidade pela reparação é do Estado, uma vez que a lei já prevê que os geradores não podem ser penalizados por indisponibilidades do sistema. “É cumprir a legislação e garantir que investimentos já realizados não se tornem inviáveis”, argumentou.

Altieri, por sua vez, chamou atenção para a necessidade de mudança estrutural no sistema, lembrando casos recentes em que hidrelétricas precisaram verter água em período seco, devido a restrições elétricas ou carga insuficiente.

Para ele, a solução deve ser desenhada com equilíbrio. “O ressarcimento é justo e necessário, mas precisa ser construído de forma responsável, sem transferir integralmente a conta para a sociedade.”

O MME foi consultado pelo Canal Solar sobre o teor das medidas em elaboração na Pasta para reparar os prejuízos causados pelo curtailment, mas não se manifestou. Já a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) informou que não iria comentar o tema.

Por Antônio Carlos Sil

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